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Divulgação científica : CP Entrevista Robert Pappalardo sobre Luas Congeladas.
Enviado por Savino ligado 08/06/2010 23:50:00 (503 leituras)

Saudações colegas do Céu Profundo!

 

Há alguns posts atrás eu havia prometido algumas mudanças e surpresas para vocês, meus nobres leitores e, apesar da demora (tempo tá curto), finalmente posso começar a revelar algumas coisas!

A partir de agora, traremos com alguma frequência entrevistas com personalidades da astronomia nacional e internacional tratando dos mais variados assuntos. Obviamente que no caso das entrevistas em inglês eu irei traduzi-las, pois ninguém tem a obrigação de falar esta língua!

Então, para começar, uma pequena entrevista com o Professor Robert (Bob) Pappalardo, Diretor e Pesquisador  do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) no campo de corpos planetários congelados.

A entrevista foi relativamente curta pois, o Professor Pappalardo, estava no meio de uma viagem quando topou nossa entrevista... Entretanto, estaremos num futuro próximo trazendo ele de volta ao CP, numa entrevista via telefone.

 

Sem mais delongas, com a palavra, o Professor Bob Pappalardo:

 

Savino,

Essas questões que você me enviou realmente tomariam muito tempo para responder, porém coloquei algumas respostas rápidas, apesar de estarem necessariamente incompletas. Estamos trabalhando ativamente para criar um grupo de FAQs (do inglês – Perguntas feitas com frequência) para um novo site sobre a Missão Europa e eu espero que isso ajude as pessoas no futuro. Por favor, de uma olhada no artigo endereçado como um complemento às suas perguntas:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8537992.stm

 

Abraços,

-Bob P.

 

CP – É praticamente um senso comum que Europa abriga água em seu interior. Podemos ter certeza disso? Quanta água pode haver lá?

BP – Não temos certeza, mas os dados do magnetômetro da Sonda Galileo são convincentes, já que mostram evidencias de um campo eletro-magnético, o que sugerindo uma provável camada de água abaixo do gelo. Provavelmente há cerca de duas ou três vezes a quantidade de água contida em todos os oceanos da Terra.

 

CP – As fraturas que nós vemos nas fotos de Europa são indicação de água próxima a superfície?

BP – Isso é um assunto de acirrado debate científico. Alguns modelos sugerem que a água está diretamente envolvida, outros sugerem que água está muito abaixo do gelo e se envolve apenas indiretamente no processo. Pessoalmente, acredito que as evidências apontam para a segunda opção.

 

CP – Para abrigar a vida como conhecemos é preciso ter água, matéria orgânica e energia. Se a água for uma certeza, o que podemos dizer dos outros elementos?

BP – Os elementos dos quais a vida é feita devem ser abundantes em Europa, caso o oceano esteja sem dúvida em contato com algum leito rochoso. Já a questão sobre a energia química necessária é bastante incerto. (Para mais detalhes, veja a entrevista a BBC citada acima.)

CP – Nós sabemos que o imenso campo magnético de Júpiter pode ser letal a vida e a matéria orgânica em geral, então, como a vida poderia sobreviver em Europa.

BP – A camada de gelo que envolve Europa funciona como um escudo para seu interior protegendo-o da radiação, que pode penetrar pouco mais de um metro no gelo.

 

CP – Existe alguma chance da próxima missão a Júpiter, Juno, nos ensinar algo mais sobre Europa?

BP – Infelizmente essa missão será focada apenas em estudar a magnetosfera e o interior de Júpiter. É pouco provável que nos dê alguma informação sobre Europa.

 

CP – Podemos esperar uma missão submarina para Europa em nosso período de vida, ou isso ainda é ficção científica?

BP – Atualmente e nosso período de vida temo ser apenas ficção. Entretanto, esforços contínuos, incluindo a EJSM (Europa Jupiter System Mission), deixaram essa realidade cada vez mais próxima.

CP – Graças a Missão Cassini sabemos muito mais sobre Encelado atualmente. Qual sua opinião sobre esta lua? Seria Encelado a Nova Europa?

BP – Encelado é sem dúvida alguma muito excitante! Provavelmente tem alguma água em estado líquido, certamente tem material orgânico e deve ter alguma energia química. O que ela não tem, necessariamente, é tempo. É possível que estejamos vendo Encelado em um momento muito especial em sua história, sendo que na maior parte de sua história essa lua deve ter permanecido inativa. Se a vida leva muito tempo para evoluir, o que parece provável, então Encelado pode não ser um lugar provável para encontrá-la. Mas é um excelente lugar para entendermos como as luas geladas funcionam; Encelado está nos mostrando a geologia de um satélite gelado em ação!

 

CP – Por fim, a última pergunta é responsável por muitas discussões acaloradas em fóruns e sites especializados: Marte ou Europa? Qual o mais provável para se encontrar vida atualmente? (Uma opinião pessoal seria ótimo!)

BP – É provável que Marte possa ter tido alguma vida em um passado distante. Mas pessoalmente eu acredito que para procurar vida nos dias de hoje, Europa é nossa melhor aposta.

 

Para saber mais sobre a futura missão para Europa acessem:

https://opfm.jpl.nasa.gov/europajupitersystemmissionejsm

 

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Espero que tenham gostado dessa pequena entrevista com o Professor Papplardo. Traremos muitas outras futuramente e, claro, estamos abertos a sugestões. Se quiserem entrar em contato conosco para sugerir algum astrônomo ou assunto, basta deixar um comentário abaixo ou enviar um e-mail com sua sugestão para nós!

Um abraço de toda equipe do Céu Profundo.

 

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Divulgação científica : Órbitas e zonas habitáveis.
Enviado por Savino ligado 24/05/2010 17:00:00 (273 leituras)

 

Segundo novos estudos baseados em modelos computadorizados, muitos dos exoplanetas que existem podem ficar dentro da zona habitável da estrela quanto fora, devido a forças exercidas por gigantes gasosos com órbitas muito excêntricas.


 

Espera-se que um planeta tipo a Terra que orbite indo em direção a borda interna da zona habitável da estrela mantenha essa órbita durante bilhões de anos - diz o pesquisador pós-doutorado em astronomia da Universidade de Washington, Rory Barnes – mas ao adicionar um planeta como Júpiter com um órbita muito elíptica, como a maioria dos que temos encontrado, e coisas estranhas começam a acontecer com o planeta menor.


 

Segundo Rory Barnes, a órbita do planeta tipo a Terra iria elongar-se e depois voltaria a ser circular novamente num período de no máximo 1.000 anos. Durante essas mudanças de órbita a água que por ventura existir no planeta poderia simplesmente evaporar-se toda. O mesmo princípio valeria para um planeta que orbitasse a borda externa da zona habitável só que ao contrário do primeiro exemplo, sua água congelaria completamente.


 

O maior problema aqui é que a zona habitável é algo muito complicado – continua Barnes – o próprio clima da Terra é afetado um pouco a cada dezena de milhares de anos então é possível que em alguns sistemas distantes a disposição dos corpos em torno da estrela seja importante para definir a habitabilidade do planeta.


 

Mais do que simplesmente o clima, continua Barners, a própria atividade geológica do planeta pode mudar no caso do planeta orbitar uma estrela com um terço da massa do nosso sol. Neste caso a zona habitável é muito próxima da estrela e a força de maré proveniente da gravidade desta estrela é crucial para determinar se o planeta pode ou não ser habitável. Coloque um Júpiter excêntrico nessa equação e coisas estranhas começam a acontecer com o planeta. Seria um mundo que alternaria entre eras de alto vulcanismo e terremotos e eras de calmaria completa.


 

Há um zoológico louco de planetas por aí que são habitáveis mas suas propriedades serão muito diferentes das propriedades da Terra e serão diferentes graças a seus vizinhos excêntricos. Disse Barners


 

 

 

 

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Divulgação científica : IC1805 - A alma e o coração.
Enviado por Savino ligado 24/05/2010 16:00:00 (177 leituras)

O Wide-field Infrared Survey Explorer, ou simplesmente, o telescópio WISE, do qual já falamos aqui fez um mosáico da Nebulosa Alma e Coração (IC1848 e IC1805)que é simplesmente impressionante. Enquanto circulava os polos terrestres o telescópio tirou nada mais nada menos que 1.147 fotos dessas duas nebulosas e compôs essa magnífica imagem.


 

Essas duas nebulosas, cujo nome é bem merecido, estão localizadas na constelação Cassiopeia, cerca de 6.000 anos-luz de distancia do nosso planeta. A forma dessa nebulosa se deve principalmente aos ventos estelares produzidos pelas recém-nascidas em seu interior. Entretanto, WISE viu mais longe e conseguiu capturar imagens de regiões mais frias da nebulosa onde os gases ainda estão se acumulando para formar novas estrelas.


 

Essa imagem serve como um excelente ponto de discussão sobre a necessidade de uma extensão na missão do WISE, programada para terminar em outubro deste ano. Uma junta de conselheiros da NASA recomenda que o satélite seja desligado dentro do período programado, pois ele haverá cumprido sua missão de fotografar complemente o céu a nossa volta. Já os envolvidos com a missão alegam que o telescópio se encontra em perfeita saúde e ainda estará em forma em outubro.


 

Considerando que o Spitzer a cada dia que passa está mais e mais quente (Lembrando que telescópios infra-vermelhos tem uma quantidade limitada de algum elemento que sirva para resfriar seu detectores.) e o James Webb ainda tem uns 4 anos de espera seria imprudente abrir mão de um equipamento em perfeita ordem.


 

Entretanto nada vem de graça, mais três meses de missão custariam aproximadamente 6.5 milhões de dólares para um projeto que já custou cerca de 320 milhões. Se vale a pena ou não, cabe aos cientistas da NASA convencerem os burocratas!


 


 

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Divulgação científica : Formação planetária em estrelas supermassivas.
Enviado por Savino ligado 07/01/2010 21:01:49 (115 leituras)

Impressão artística de um disco de matéria em torno de uma estrela.

“Viva rápido, morra jovem e seja um cadáver bonito.” Essa frase do famoso escritor Oscar Wilde pode ser um tanto quanto mórbida, mas cai como uma luva quando o assunto é a vida das estrelas super-massivas e aparentemente, a vida dos seus planetas.
Um time de astrônomos do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics e do National Optical Astronomy Observatory examinaram uma região de formação estelar conhecida como W5, na região de Cassiopéia, cerca de 6.500 anos-luz do Sol.
A equipe usou o Telescópio Espacial Spitzer, assim como o telescópio em terra Two Micron All-Sky Survey para eximar discos de poeira em cerca de 500 estrelas de classe A e B (Que são em média cerca de 2 a 15 massas solares). Dentre essas 500 cerca de 10% apresentam discos de poeira e destas 50, 15 apresentam um vazio no interior do disco, o que significa que podem ter planetas recém-formados, aproximadamente do tamanho de Júpiter.
O time também sugeriu que todas as estrelas super-massivas apresentam discos de matéria no início de suas vidas, mas devido à intensa radiação e ventos estelares esses discos tendem a desaparecer rapidamente. Acredita-se que as estrelas observadas na região tenham em média de 2 a 5 milhões de anos e grande parte delas já não apresenta mais o disco de matéria. Em outras palavras, se planetas vão se formar em órbita desses gigantes é melhor que formem rápido.
Para os que aguardam a notícia de planetas que possam abrigar vida (como a gente entende)essa não é muito promissora, entretanto, segundo Xavier Koenig do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, esse estudo ajuda na compreensão de como os planetas se formam.
Estrelas como essas vivem cerca de 10 a 500 milhões de anos, ou seja, qualquer forma de vida que se arrisque em um sistema como esse, terá que agir bem rápido.

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Divulgação científica : Lagos em Marte podem ser mais recente do que se imaginava.
Enviado por Savino ligado 05/01/2010 15:30:00 (121 leituras)



Marte não para de surpreender. Apesar de seco e gelado nos dias atuais é certo que já foi quente e humido o bastante para sustentar rios e lagos. Entretanto previa-se que o planeta havia secado completamente há cerca de 3.8 a 4 bilhões de anos atrás.

Agora, pesquisadores do Imperial College of London e do University College London afirmam que Marte pode ter sustentado lagos á cerca de 3 bilhões de anos atrás e o mais interessantes, próximos ao equador marciano.

Para determinar essa idade os pesquisadores analisaram mais de 35.000 crateras na região e, assumindo que esta região esteve continuamente exposta a impactos, chegaram a tal conclusão.

Ainda não se sabe se estes lagos tiveram uma longa duração, mas segundo o Dr. Nicholas Warner, autor-chefe do artigo, pode ter servido de oásis para alguma forma de vida em um planeta de outra forma inóspito.
 

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