2010 sem duvida foi um ano que
povoou durante muito tempo a imaginação dos escritores de ficção científica.
Sir Arthur C. Clarke, autor do famoso livro 2001: Uma odisséia no espaço,
imaginava um futuro com computadores conscientes, bases na lua, hospitais em
órbita da Terra , viagens tripuladas a Júpiter e, claro, seria “o ano em que faremos
contato.”
Apesar não termos chegado a este
ponto, esta década pode vir a ser a mais revolucionária da história da
astronomia, desde que Galileu Galilei resolveu olhar para cima com sua luneta.
Por isso mesmo, nós do Céu
Profundo, preparamos para vocês uma lista, em duas partes, das missões mais importantes que
acontecerão nesta nova década. A lista conta com algumas missões iniciadas na
década passada, porém seus resultados só poderão ser obtidos nesta década.
Então, sem mais demora, vamos à
lista.
Telescópio Espacial Kepler:

Por séculos a humanidade se
questionou sobre a possibilidade de haver outros mundos em torno das estrelas
que permeiam nosso céu. Hoje, temos a resposta definitiva: Sim, existem!
Entretanto, esses mundos, até onde sabemos, não são nada agradáveis de morar,
sendo normalmente quente demais, frio demais ou grande demais. Em outras
palavras, os gigantes gasosos hiper-quentes (hot-jupiters), os gigantes gasosos
gelados e finalmente, as super-terras.
A questão agora ficou mais
objetiva, sabemos que existem outros planetas, mas existem outras Terras? Com
essa pergunta em mente, um grupo de pesquisadores lutou por mais de 15 anos
para conseguir financiamento para construir um telescópio que respondesse de
vez essa questão.
Depois de dezenas de projetos
cancelados e cortes no orçamento, finalmente, em março de 2009 a Missão Kepler
alcançou o espaço. O telescópio é o único no mundo totalmente dedicado a busca
de exoplanetas tipo terra e terá uma duração de cerca de 3 anos e meio, podendo
ser estendida por mais 2, caso venha a obter sucesso e claro, financiamento.
O Kepler, que ganhou esse nome em
homenagem ao grande astrônomo holandês Johannes Kepler, está observando mais de
100.000 estrelas, num campo de visão de aproximadamente 105º. Ele irá
determinar a existência desses planetas através de uma técnica conhecida como
Transito Planetário, ou seja, o telescópio irá perceber uma pequena diferença
na contagem de fótons da estrela quando o planeta passar na sua frente. Para
isso é necessário que a estrela esteja praticamente perpendicular ao nosso
campo de visão.
Se planetas como o nosso são
comuns ou não, só saberemos lá pelo final de 2012, mas independente do
resultado vale lembrar que estamos olhando uma minúscula fração das estrelas em
nossa galáxia, o que pode garantir-nos uma média, mas nunca um número total.
A Missão Kepler é o primeiro de
um conjunto de missões planejadas pela Nasa para encontrar, analizar e
fotografar planetas como o nosso. Sua base de dados vai servir de apoio para as
missões vindouras, atualmente conhecidas como Space Interferometry Mission
(Missão de interferometria espacial), ou SIM e o Terrestrial Planet Finder
(Buscador de planetas terrestres), ou TFP.
Telescópio Planck:

Lançado pela Agencia Espacial
Européia em maio do ano passado, Planck é a primeira missão da Europa preparada
para responder algumas das questões mais fundamentais da cosmologia moderna.
Como o universo surgiu? Como chegou ao estado atual? O que acontecerá com ele
no futuro? Para isso, o telescópio irá mapear com a maior precisão já alcançada
o 1 “eco” do Big Bang, mais conhecido como Radiação Cósmica de Fundo.
Seus resultados devem começar a
chegar ainda este ano, mas sua missão foi estendida há pouco tempo para 2011,
de forma que o telescópio obtenha resultados mais precisos. Planck é equipado
com um espelho de 1.5 metros de diâmetro e irá esquadrinhar completamente o
nosso céu. Seu nome é uma homenagem ao
físico alemão Max Planck.
Curiosity (Mars Science Laboratory):

Nomeado através de um concurso
promovido pela NASA para crianças em idade escolar o Curiosity (curiosidade) é
o futuro dos Rovers em marte. Programado para ser lançado na primavera
(hemisfério sul) de 2011, Curiosity tem tudo para revolucionar o nosso conhecimento
do planeta vermelho. Sua missão é parte de um conjunto iniciado pela Nasa em
1996 com a sonda Pathfinder e o rover Sojourner para pesquisar a possibilidade de
Marte ter abrigado vida algum dia.
Entretanto nenhuma sonda até hoje
foi a Marte tão bem preparado para responder essa questão quanto a Curiosity. A
sonda irá recolher e analisar dezenas de amostras do solo para conhecer a fundo
o passado climático do planeta vermelho, verificando sua formação, estrutura e composição
química, além de buscar traços dos blocos que formam a vida como a gente
conhece (compostos baseado em carbono).
Curiosity irá contar também com
uma série de inovações tecnológicas, a começar pelo pouso em Marte. A entrada
na atmosfera marciana será feita de maneira tradicional, ou seja, com um grande
escudo antitérmico, mas a semelhança com as missões passadas termina por aí.
Depois de descartar o escudo a
sonda irá liberar um pára-quedas para diminuir ainda mais sua velocidade. Nos
segundos finais da descida retrofoguetes irão manter a sonda no ar enquanto ela
desce, de forma muito semelhante a um guindaste, o rover até a segurança do
solo. Depois de liberado a sonda voará algumas dezenas de metros e cairá, sem
causar qualquer risco a integridade do Curiosity.
O Rover além de tudo irá
demonstrar a possibilidade de se pousar grandes cargas em Marte, a habilidade
de pousar um objeto com precisão numa área de 20 quilômetros de diâmetro e demonstrar a mobilidade de longo alcance no
planeta, cerca de 5 a 20 quilômetros no total.
A chegada em Marte está prevista
para 2012.
Juno:

Com lançamento previsto para o
ano que vem Juno irá embarcar numa viagem de 5 anos até o maior planeta de nosso
sistema, Júpiter. Juno será a primeira sonda a chegar ao sistema solar exterior
movida a energia solar. Assim que chegar a Júpiter a sonda irá entrar uma órbita baixa elíptica
circulando o planeta de pólo a pólo. No momento em que atingir a órbita
desejada, Juno irá ativar seus instrumentos de infravermelho e microondas e
começará a medir a radiação térmica que emana das profundezas da atmosfera
jupiteriana.
Essas observações irão
complementar estudos prévios sobre o planeta e irá dar mais detalhes sobre a
quantidade de água e oxigênio em sua atmosfera. Também preencherá algumas
lacunas importantes sobre a formação e origem de Júpiter.
Enquanto isso outros instrumentos
irão coletar dados sobre o campo gravitacional do planeta assim como seu campo
eletromagnético, ajudando a entender o funcionamento das espetaculares auroras que
ocorrem por lá, além de uma melhor compreensão do estranho interior de um
planeta composto basicamente por hidrogênio e hélio.
Espero que tenham gostado dessa primeira parte deste artigo, a segunda parte sai ainda hoje (eu ia dizer amanhã, mas já passou da meia-noite), então, fiquem ligados no Ceu Profundo para saber o que o futuro nos reserva!
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